Emerson Fernandes

Emerson Fernandes

TRAZENDO TRECHO NOS HOMBROS



Opaco brilho de sol
Restos de tarde findando
Ao longe um vulto vagando
Na linha do corredor
Não se revéla a pelagem
E da imagem rosto sombriado
Só se ve que vem cansado
Pelo trotiar da ensilha

A cachorrada entonada
Aviza em acoou que gente
Logo se avista um vivente
Ou uma alma montada
Pelegão beirando o estribo
Lumbilho de lua prateada
E uma vóz pede pousada
Aléga que a noite é fria


Ja desencilha e se abanca
Indaga e de si nada fala
Pergunto o estranho se cala
Para aumentar o misterio
Do velho rosto enrrugado
Trazendo trechos nos hombros
Levando léguas no lombo
Por traz de um olhar cansado

Passei a noite em claro
Sempre de corpo leviano
Por ter um viver mundano
Nunca cuchilei nas palha
A "cutija"sempre ao alcançe
E um "nagão"ruge ligeiro
Pra amançar caborteiro
Quando me falta a palavra

Não chegou fexar seis horas
Botei meus ossos de ponta
Só acredita é quem conta
Nem rastro do estranho
Sem sinal de fogo aceso
Completo vaziu no galpão
Nem sequer rastros no chão
Sobraram pra contar a historia

Talves foste maragato
Com saudade das andanças
Campiando atraz de vinganças
Rumadas pra estes lados
Pode ser contrabandista
Que deixou de ser tropeiro
Pra se tornar tropeiro
Fugindo dos Abas largas

E F



REGALO A JOZÉ MACHADO


No salso um sol se levanta
Um sabia que canta
A canção matinal
De pronto chego no sogueiro
Vem o piqueteiro
Cheirando o embornal

Tota tropilha encerrada
Eu de pua calçada
Começo encilhar
Do de mão num ponchito aragano
Porque o minuano
È dificil falhar

Cruzamos um antigo cercado
Do milho quebrado
Onde tão as tambeiras
Aproveito e no mesmo volteio
Olho o arame do meio
Onde cruza as roceiras

Zé machado levanta un tubiano
Faceiro asoviando
Tocando uns capão
O Baito acoando se solta
Procurando a volta
Babando os garrão

"Home véio"campeiro e ligeiro
Ja salta primeiro
Pra abrir a porteira
Num fiador "agarramo a estrada
Um linha encravada
Da "lavra" é fronteira

Por volta do meio dia
Escorre asangria
Num hupa é carniada
Pra panéla um arroz com espinhaço
E pra passar o mormaço
Só sombra e sestiada

E F

       TRAZENDO TRECHO NOS HOMBROS

Opaco brilho de sol
Restos de tarde findando
Ao longe um vulto vagando
Na linha do corredor
Não se revéla a pelagem
E da imagem rosto sombriado
Só se ve que vem cansado
Pelo trotiar da ensilha

A cachorrada entonada
Aviza em acoou que gente
Logo se avista um vivente
Ou uma alma montada
Pelegão beirando o estribo
Lumbilho de lua prateada
E uma vóz pede pousada
Aléga que a noite é fria


Ja desencilha e se abanca
Indaga e de si nada fala
Pergunto o estranho se cala
Para aumentar o misterio
Do velho rosto enrrugado
Trazendo trechos nos hombros
Levando léguas no lombo
Por traz de um olhar cansado

Passei a noite em claro
Sempre de corpo leviano
Por ter um viver mundano
Nunca cuchilei nas palha
A "cutija"sempre ao alcançe
E um "nagão"ruge ligeiro
Pra amançar caborteiro
Quando me falta a palavra

Não chegou fexar seis horas
Botei meus ossos de ponta
Só acredita é quem conta
Nem rastro do estranho
Sem sinal de fogo aceso
Completo vaziu no galpão
Nem sequer rastros no chão
Sobraram pra contar a historia

Talves foste maragato
Com saudade das andanças
Campiando atraz de vinganças
Rumadas pra estes lados
Pode ser contrabandista
Que deixou de ser tropeiro
Pra se tornar tropeiro
Fugindo dos Abas largas

E F