Emerson Fernandes

Emerson Fernandes

SOVANDO COUROS E PENAS

Depronto afio os talhiér
Do de mão no cravador
Tiro uns tentos pra o arremate
Pra botão e corredor
Vo "macetia" um couro pampa
E juntos as penas de amor

Meu coração junto ao cepo
A golpe quaze sovado
Dois compaços de macete
Um som seco cadenciado
Quebrando o carnal do couro
E um sentimento encruado


Sovando couros e penas
Domando potros e amores
Garrotiando minhas dores
Enfrenando meus segredos
Eu nasci pra ser "guasqueiro"
Ser domador e campeiro
E um ser que ama sem medo


Das penas fiz umas redeas
Chata e presilha tramada
Tirada em tira de lombo
Que aos poucos deixei sovada
Pra encordoar a saudade
Que anda de boca atada

Na trama tranço a esperança
Que segue sempre o ramal
Meu amor couro pontiado
E arroxado de bocal
A sórte lonca mui fraca
Só arrebenta no final


E F
               
         EMANGUEIRANDO

Num tênue resplendor de dia,um sol surgia
Nos "ocalito"
E um sabiá em sua cantoria,faz compania
A este ser solito

Munto "dinpelo"num piqueteiro,me vo ao potreIro 
Voltia as "oveia"
Lévo um trabuco,chamo os cachorros,porque um sorro
Ta roendo "oreia"

Emangueirando,os "cachorro" acoando,o reio estalando
Olha mangueira!!!!
Que a gauchada, é bota bolcada,deixar maniada
E curar bicheira

Boto no brete,faço um aparte,o que é discarte
Vo separando
E pra invernada solto uns borregos,que é pra pelego
Que eu to deixando

Abro a porteira,vo negaciando,sigo contando
Como  fiador
E ja dei falta de uma manca,e duas brancas
Que tão no corredor

E F