Se abre o portal do dia
E vem o alvorço dos galos
Na chegada dos cavalos
Vou juntando meus arreios
Se aqueta o ronco do mate
E um cusco faceiro late
Ouvindo o tinir do freio
Na tapera do Erpidio
Vamo juntando o rebanho
Reculutando pra o banho
E combatendo o carrapato
Logo um zebú se apartou
Alsou a cola e fugou
Pegou o rumo do mato
Tóca "Badico"floxa a boca desta égua
Gruda e ataca não deixa sair no passo
E com cuidado atira o gado pra o cerro
Que meu salino léva o zebú no laço
O gado fareja a estrada
E num trotão vai se estendendo
Um sol de ponta batendo
Numa manha mormacenta
E o vento norte virou
E o tio "Noa" nos avizou
Até periga tormenta
Se atira um vacum pesado
dando eco no banheiro
Dois cachorros de breteiro
Vem agarrado aos garrão
No dente do camaquã
Se enfurece um tabapuã
Que sai coisiando os "moirão"
Volteio o gado,abro a porteira e bem pra fora
Fexo um cigarro com calma e muita passiência
Aperto os bastos e vo toma um trago no "Ita"
Porque até o gado sozinho volta a querencia
E F
SINA DE SECA
Fechou o tempo,mandando o calor embora
Cobrindo o céu de um triste emfumaçado
No alto de um cerro um touro berrando chora
E o cheiro da chuva corre por campos torrados
È no banhado que o gado sempre se alója
O pasto escasso,muita perda e pouco ganho
E ja deu quebra na queda que deu a sója
E agora só sóbra a sóca pra da peso no rebanho
Mas que sina de seca
Tende a nos calejar
Porque esta estiagem
Nos atinge a coragem
Mas não faz parar
Mas que seca teatina
Não nos enforque o mundéu
Que na ânsia de não chuver
Tras fé e me faz fazer
Um canto pra "caí" céu...
Um canto pra "caí" o céu.
E F